Numa certa tarde, após saborear o pirão de ovo, Nanam trancou rapidamente os janelões e a porta que dava para a rua. Todo mundo ficava olhando pelas gretas e falando baixinho. É o papa-figo comentava alguém. Lembro da sua roupa vermelha e que mais parecia um rei mago. Eu morria de medo, pois os adultos falavam que eles roubavam as crianças tiravam seus órgãos para implantar em crianças ricas doentes. Aquela altura o pirão começou a embrulhar no estômago. O homem olhava em direção a nossa casa e falava coisas incompreensíveis, fazia gestos, levantava e mexia num saco cheio de cacarecos. Finalmente a paz voltou ao ambiente após a saída do papa-figo da vizinhança.
sábado, 26 de abril de 2008
O PAPA-FIGO
Numa certa tarde, após saborear o pirão de ovo, Nanam trancou rapidamente os janelões e a porta que dava para a rua. Todo mundo ficava olhando pelas gretas e falando baixinho. É o papa-figo comentava alguém. Lembro da sua roupa vermelha e que mais parecia um rei mago. Eu morria de medo, pois os adultos falavam que eles roubavam as crianças tiravam seus órgãos para implantar em crianças ricas doentes. Aquela altura o pirão começou a embrulhar no estômago. O homem olhava em direção a nossa casa e falava coisas incompreensíveis, fazia gestos, levantava e mexia num saco cheio de cacarecos. Finalmente a paz voltou ao ambiente após a saída do papa-figo da vizinhança.
OS CHAPÉUS DE DONA ESTER
Era uma senhora de pela escura, baixinha e muita educada. Eu me criei freqüentando sua casa que era vizinha a dos meus pais na Praça da Piedade. Não era casada, mas tinha como ajudantes e companheiras Dona Josefa e Maria uma moça simples e bonita que se casou com um rapaz baiano de nome João que aqui veio passear com meu irmão Adherbal. Ela sempre me pedia para fazer pequenos favores e como recompensa me presenteava com deliciosos pães-de-ló. Diziam os mais velhos que o licor de jenipapo de sua fabricação era delicioso. Tinha ela o hábito de anotar em uma pequena caderneta tudo que se passava na cidade, de fatos políticos importantes a enterros de pessoas simples, inclusive auxiliou meu pai na confirmação de vários fatos históricos. Filha do Monsenhor Daltro era uma mulher de singular cultura, mas era no artesanato seu ponto mais forte. Quando chegava a noite de natal abria as janelas de suas casa para vender os chapéus de papel crepom que confeccionava usando como base o papelão de caixas de chapéu. Para as meninas um de forma arredondada e florido e para os meninos o boné com várias cores. Eu adorava usar na ceia de natal e depois ir passear na Praça Filomeno Hora onde as barracas ofereciam o tradicional arroz de galinha e havia as barraquinhas de confeito de castanha - para as meninas a bolsinha, para os meninos o barquinho - já cansado dos brinquedos do parque era hora de ganhar a bola de assoprar e voltar para casa. quinta-feira, 24 de abril de 2008
A BENÇÃO PADRE !?

terça-feira, 22 de abril de 2008
O TIME DO CAPITÃO

SÓ CHUPANDO UMBÚ

segunda-feira, 21 de abril de 2008
OS CONSTRUTORES DE ESTRADAS

NÓ NAS TRIPAS
Eu ainda estudava o primário quando apareceu o diabólico chiclete Ploc de Hortelã. Como toda criança faz, com o dinheiro que ganhei do meu padrinho Nouzinho da Ema comprei um punhado de gomas. Naquela época, por ignorância ou para evitar que a gurizada mascasse tanto doce, os adultos diziam que se alguém engolisse o chiclete ele daria um nó nas tripas e era morte certa. Meu pesadelo começou assim: durante o recreio, entre corre daqui, pula de lá, bateram em minhas costas e acabei engolindo o diabo do Ploc. Acabei-me de chorar pensando que iria morrer logo. Minha professora Dona Antonieta, preocupada perguntava o que havia acontecido e eu não conseguia falar de tanto soluço e as mãos cheias de chicletes. Fui levado até a secretaria do grupo, mas nada, me deram água para eu acalmar e nada, só pensava na morte que estava próxima. Finalmente Meninha de Zé de Bita me levou para casa e fui logo me deitando numa rede que ficava na cozinha e só depois de muito tempo que minha mãe conseguiu me acalmar e eu lhe contei o que se passara. Compreensivamente ela falou que me levaria ao médico, mas como ele só atendia em Aracaju ela me daria para beber uma garrafa de Limonada Bezerra para ver se eu expelia a borracha. Remédio desgraçado aquele, só tomei para não morrer e no dia seguinte passei o dia no sanitário. Passado alguns dias e eu ainda vivo perguntei a minha mãe se ainda me levaria ao médico e ela confessou tudo. Não sei por que, mas até hoje não suporto mascar chicletes. Talvez seja por medo de dá nó nas tripas, ou será pela limonada purgativa?
quinta-feira, 17 de abril de 2008
O SABOR DA AMOROSA

O AVIÃO POUSOU

O PAPAI NOEL DE SEU NOUZINHO
Não sei se em alguma outra cidade existe ou existiu o papai-noel que saía distribuindo presentes pelas ruas da cidade. Aqui em Lagarto existiram duas lojas que no dia de natal entregavam os presentes comprados pelos pais da garotada. O mais famoso era o da casa Oriente que pertencia ao seu Ursulino Loiola mais conhecido por Nouzinho, o outro era do Magazine Foto e que pertencia a José Antonio da Costa, o Maninho de Zilá. Mal começava o mês de dezembro e as lojas ficavam entupidas de brinquedos. Para os pais com poder aquisitivo era um o prato cheio para satisfazer os desejos dos filhos. Chegado finalmente o grande dia eu ficava imaginando qual seria meu brinquedo. Meu pai fazia suspense e nos deixava excitados.Logo após o almoço minha mãe mandava eu e meus irmãos tomarmos banho e vestir roupa nova para receber o Papai Noel. Eu morria de medo e me escondia no sanitário. A Praça da Piedade ficava animada e logo o carro de som começava a chamar as crianças, casa por casa. Após sua passagem todo mundo orgulhoso saía para mostrar seu novo presente. Lembro muito bem de uma Kombi de polícia que certa vez ganhei, ela possuía um sistema de fricção que imitava a sirene, mas ao passar por um lugar sem calçamento a areia entrou na engrenagem e o som passou a ser de uma casa de farinha. Naquele ano meu irmão Deodoro também ganhou um carro semelhante ao meu, mas o modelo era da policia americana.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
A TOSSE BRABA
Antigamente o grande trauma dos pais era com a precária saúde das crianças. Os cuidados pessoais quase sempre ficavam a desejar e poucos observavam como nos dias de hoje. Quando ocorria um surto de piolhos no colégio fatalmente todos pegavam. Doenças como a sarna eram passadas com freqüência, até as doenças tropicais como o sarampo e a papeira tinha seu período de contágio. Dentes estragados não é bom nem falar, pois muitas crianças iam para a escolar sem ao menos escovar os dentes. Felizmente meus pais sempre tiveram o cuidado com a saúde como parte importante para a manutenção de sua vistosa prole.ESCONDERIJO PERIGOSO
Elmo gostava de coisas bem estranhas é verdade, mas naquele dia ele se superou. Estavam construindo o Hotel Rosendo Pálace e havia vários montes de areia formados pelas caçambas que traziam o material para ser usado na obra. Num final de tarde, após os operários terem terminado sua jornada diária, ele resolveu fazer um buraco onde deveria se esconder a noite quando a garotada estivesse brincando de esconde-esconde. Mais tarde enquanto a turma corria em disparada para encontrar um melhor lugar para se ocultar, Elmo calmamente se colocou no esconderijo e cobriu com uma tampa de papelão. Para sua surpresa, enquanto estava tranqüilo como uma toupeira em seu ninho chega uma caçamba para descarregar areia. De imediato ele não notou a presença do veículo, mas quando o material ia deslizando sobre o monte já existente e pressentindo o perigo resolveu sair rapidamente do buraco levando um grande banho de areia. Nisso os que estavam próximos começaram a gritar e o surpreso caçambeiro correu para acudir o pobre gordo que cuspia areia e bufava feito um touro assustado. Irritado com as chacotas da molecada que gritava: “"Tatu bola, tatu bola”. O pobre Elmo disparou em direção a sua casa deixando um rastro de areia para trás e a garotada em seu encalço para ver Dona Regina lhe passar uma bronca.sábado, 12 de abril de 2008
A PRIMEIRA PROFESSORA
Quem acaso não teve uma grande professora? Dona Antonieta Libório foi praticamente minha mestra durante todo o primário e graças a ela muito do que sou hoje aprendi de suas lições. Fui aluno do grupo Silvio Romero e é verdade que faltava conforto e material escolar. As carteiras eram divididas entre dois ou três alunos e o assento de tiras de madeiras bem que machucava. Quanto ao material didático lembro que foi na quarta série que chegou o primeiro livro gratuito e que ao final do ano devolvemos para ser utilizado por outro aluno no período seguinte. È claro que a rigidez às vezes assustava, mas vez por outra alguém aprontava. Bastava seu Joãozinho tocar o sino que os alunos quase que assustados corriam para formar fila na porta da sala de aula, ninguém entrava antes da professora. Apesar de todo o rigor é claro que sempre existiram aqueles alunos mais afoitos. Acho que era Zé Dias (aquele da Prefeitura) que gostava de ver o servente fumegando de raiva. Aproveitando a algazarra, ele gritava: “Fedor de bunda!” ", e seu Joãozinho voltava com uma quente e outra fervendo, e como sempre não encontrando o malfeitor. Na despedida do primário, fizemos um passeio até a beira do rio Piauí onde Dona Antonieta, durante a caminhada nos dava aulas sobre a natureza e ao chegar à beira do rio tomamos aquele delicioso banho de rio sob o seu olhar atento. Na escola, apresentações de músicas e poesias. Pequenas recordações que possuem um grande valor moral e espiritual. O BAÚ DAS LEMBRANÇAS
Quando eu estava iniciando esse descomprometido trabalho de vasculhar o baú das minhas memórias juvenil, tentei voltar a mais tenra lembrança que possuía. Dizem os estudiosos que quando vamos envelhecendo começamos a lembrar mais das coisas da juventude que da atualidade. Entretanto, foi difícil achar essa passagem quase apagada da minha memória. Um pedacinho daqui, outro dali e como uma névoa se dissipando fui vendo na minha mente o passado voltando. Qual seria ela? E pincelando ali e aqui cheguei à conclusão que foi no início de 1964, Não seria ela a primeira, porém a mais significativa. Pela manhã daquele dia brincávamos em frente da nossa casa. Eis que surge na praça vindo da Rua Lupicínio Barros um jeep e um caminhão do exército com muitos soldados vestidos para a guerra e diante da prefeitura descem nervosos e falam alto. Nesse momento minhas lembranças voltam para minha mãe nos levando apressados para a casa da minha avó que ficava na Rua Acrísio Garcez. Ficamos por lá até o dia seguinte sem que nossa inocência pudesse imaginar o que se passava com o país naquele instante. Claro que somente muitos anos depois pude entender do que se tratava. E mais ainda, quanto ódio senti ao ganhar consciência daqueles fatos e quando desfilei no dia sete de setembro com uma bandeirola na mão cantando: “Este é um país que vai pra frente” ". Felizmente o povo brasileiro depois de três décadas pôde se livrar do fantasma da ditadura, mas isso é outra história.ALGUMAS PALAVRAS
Então, caro amigo leitor, não espere grandes façanhas, aqui estão apenas relatos de um garoto e adolescente que viveu entre os anos 60 e 70 do século passado, numa Lagarto cheia de vida e amizades. Dos bailes da Atlética, das festas de setembro, do São João, do Natal, carnaval e das escolas públicas. Da Praça da Piedade, principal ponto de encontro da garotada. Dos passeios pelos arredores, do cinema e tudo mais que uma pequena cidade do interior poderia oferecer. Então vamos à leitura.

